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Painel digital é o conta-giros dos anos 1990

Painel digital é o conta-giros dos anos 1990


Até meados da década de 1990, conta-giros era um item relegado a modelos nacionais mais sofisticados. Apesar de o quadro de instrumentos sempre ter tido espaço para o marcador de rotação, aqui no Brasil era comum ter um relógio ou um grafismo qualquer, para preencher a ausência do instrumento. A razão? Custo de produção. Mas felizmente evoluímos e assim como para-choques pintados na cor da carroceria, hoje qualquer pé de boi tem conta-giros, para alegria do Mosquitinho, um antigo colega de trabalho, que dizia de peito estufado: “Quando guio, só me oriento pela rotação, nunca pelo velocímetro”. E olha que ele dirigia seu Chevrolet Corsa 1.6, ano 1999, por cerca de cinco quilômetros, menos do que uma volta pelo circuito de Spa Francorchamps, na Bélgica. Segundo ele, o instrumento foi fundamental para a aquisição da “máquina”.

Mas voltemos ao painel dos automóveis. O Volkswagen Polo tem sido apontado como um dos principais lançamentos de 2017 e também como o novo porta-bandeira da marca alemã, que não esconde uma ofensiva no mercado nacional a partir do compacto. Entre os destaques do hatch, está o quadro de instrumentos digital, que aposenta os relógios analógicos de velocímetro e conta-giros.

O equipamento, que é oferecido como opcional na versão Highline, permite que o motorista ajuste os dados de leitura da forma que lhe for mais interessante. Velocímetro, conta-giros, navegação, computador de bordo, podem ser projetados no monitor montado atrás do volante.

No entanto, este recurso não é nenhuma primazia do pequeno Volkswagen. Pode até ser novidade no segmento que o Polo se enquadra, mas já tem sido adotado há pelo menos três anos. Obviamente que sua estreia foi em modelos de luxo. Por aqui chegou com o Audi TT e batizado de Virtual Cockpit. Hoje o equipamento está presente em praticamente toda a gama da marca das quatro argolas.

Mercedes-Benz e BMW também já adotaram o recurso, que pode ser encontrado aqui em modelos como Classe S e Série 7, assim como nos elétricos i3 e i8 da marca bávara.  O quadro de instrumentos digital também está presente em utilitários-esportivos sofisticados, como os novíssimos Peugeot 3008 e Volvo XC 60.

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A razão da inclusão do equipamento tem razões muito simples: melhorar a visibilidade das informações projetadas no painel, reduzindo o tempo que os olhos não estão diante da estrada. Outro quesito é a eficiência de produção.  Os quadros de instrumentos analógicos são compostos por uma série de componentes mecânicos, que demandam calibrações, cabos e fios, que tornam sua fabricação mais complexa.

Já os mostradores digitais, funcionam com uma espécie de tablet pregado atrás do volante e abastecido de dados de forma totalmente eletrônica, mais precisa e de construção mais ágil. Hoje ainda é caro, mas a tendência é que se torne cada vez mais acessível, como qualquer outro equipamento que engrossa os conteúdos de um carro popular.

Evolução

Os primeiros quadros de instrumentos sem mostradores analógicos chegaram no Brasil no final dos anos de 1980. A Chevrolet comercializou versões do Kadett e Monza, que vinham com velocímetro digital (com algarismos fracionados como em um relógio Casio) e conta-giros gráfico, que era inspirado no Corvette geração C4. Mas a novidade teve pouco efeito e não demorou muito para que caísse em desuso, e os mostradores analógicos circulares seguiram seu caminho.

A Citroën resgatou a tendência em 2004, com a linha C4. O Francês contava com um chamativo velocímetro digital bem ao centro do painel. Apesar de moderno, tinha gente que reclamava da posição do instrumento e tamanho dos algarismos projetados. “Agora a patroa fica me monitorando. Antes eu podia fincar a botina que ela nem percebia”, me confidenciou um empresário do ramo de pintura de cabines de caminhão, por volta de 2005.

Mas o painel digital se tornou bacana mesmo foi em 2006, quando a Honda lançou a oitava geração do Civic, que por aqui a rapaziada ainda chama de “New Civic”. Foi quando o painel digital voltou com tudo.  É bem verdade que o quadro do japonês não era totalmente digital, pois o marcador de rotação seguia analógico. Mas era um painel de dois andares, muito reluzente e fazia dele um adorno de cortejo.

Atualmente, os computadores de bordo com tela em TFT, permitem reproduzir o velocímetro com números garrafais e que contribuem para o melhor controle da velocidade. É comum até mesmo em populares como Fiat Uno.

Assim como rádios com tocadores de fitas e CD`s deram lugar a módulos fininhos, capazes de reproduzir diversos tipos de arquivos digitais e reduzindo peso, calor e custo de fabricação, o mesmo destino terão os quadros de instrumentos analógicos. Mas para o alívio do Mosquitinho, superesportivos como Porsche 911, Lamborghini Huracán e Ferrari F12 Berlinetta, continuam mantendo os conta-giros de forma analógica, com seus ponteiros nervosos e a faixa vermelha do rpm cravada no reloginho.

Fotos: Divulgação montadora e Internet.

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Marcelo Iglesias Ramos – Jornalista | Design Gráfico – (31) 99245-0855

 

 

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Emilio Camanzi

Emilio Camanzi

Emilio Camanzi  é um jornalista experiente e formador de opinião, com mais de 56 anos de trabalho dedicados a área automobilística. Seu trabalho sempre foi norteado pela busca da seriedade e credibilidade da informação. Constrói suas matérias de forma técnica, imparcial e independente, com uma linguagem de fácil compreensão. https://www.instagram.com/emiliocamanzi/ 🙋 PARCERIAS: apartamentos-rosa.com@gmail.com

One thought on “Painel digital é o conta-giros dos anos 1990

  1. Correção: antes do C4, houve no Brasil o Renault Twingo que tinha velocímetro digital no centro e a Tempra SW, que tinha um painel digital espetacular. E além do Monza e Kadett, o Omega e a Suprema também tiveram painel digital.

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